Palestra Lino Villaventura- Criciúma

Nesta última quinta-feira estive em Criciúma e por sorte fiquei sabendo que Lino Villaventura iria ministrar uma palestra na cidade. Queria muito ter colocado um comentário antes aqui no blog sobre o assunto, mas com a viagem de volta e as aulas da pós, esse final de semana tornou-se corrido.
Bom, voltando ao tema do post, eu sempre respeitei muito o trabalho do Lino porque ele é um dos poucos estilistas brasileiros que alcançou reconhecimento por uma criação de moda verdadeiramente autoral, encaixando-se no patamar acima que separa os estilistas que seguem tendências internacionais e os que olham para dentro de si mesmo, construindo uma identidade muito forte e facilmente reconhecível em suas coleções.
O trabalho do Lino tem alma, tem história, tem conteúdo. É uma extensão autêntica da sua personalidade. Não por acaso ele faz parte da primeira geração de estilistas que lá na década de 80, diante de um mercado de moda pouco profissionalizado no Brasil, teve a coragem de trabalhar com criação em meio a uma maioria de empresas que nem sabia o que isso significava. Autodidata, aprendeu na prática sua profissão, porque os cursos de moda, que hoje incusive estão banalizados, nem existiam na época.
A palestra foi organizada pelo Senai Criciúma dentro do evento Enmoda com o tema “Criatividade e identidade na moda brasileira- 30 anos de trajetória de Lino Villaventura”. Meu entusiasmo começou a desaparecer à medida que comecei a perceber uma abordagem superficial sobre o assunto. Fiquei com a sensação de que o próprio estilista estava se privando, e isso ficava claro na sua linguagem pouco profissional e no conteúdo nada profundo. Postura no mínimo estranha para um estilista com tanta experiência, talento, reconhecimento, entre várias outras qualidades.
A minha impressão sobre o evento, somada à postura do palestrante e por fim as perguntas fora de contexto feitas pelo público presente, me fizeram ter certeza de que ainda temos muito caminho a percorrer quando o assunto é cultura de moda. Para os poucos que assim como eu, têm uma visão mais crítica e uma bagagem maior de informação de moda, a sensação naquele momento foi de frustração. Em resumo, sinceramente não culpo o estilista, já que a palestra infelizmente deve ter sido produtiva para muitas das pessoas que se encontravam ali.
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1 comentário

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Uma resposta para “Palestra Lino Villaventura- Criciúma

  1. Aconteceu um episódio parecido na palestra que a Glória Kahlil ministrou aqui em Criciúma. Eu não fui, mas ouvi comentários do mesmo teor sobre essa palestra…
    É incrível como as coisas relacionadas a arte em geral banalizam tão rápido que chega a ser mais preocupante, né?
    Tanto na moda quanto na música e até na arquitetura, acaba se tornando um mercado fraco, sem embasamento e muitas vezes sem coerência alguma.
    Na minha opinião, a mídia e a internet tem uma boa parcela, se não for toda, de culpa nisso. São inúmeras as pessoas que vivem de mídia, e muitas delas lançam uma coleção de roupas, decoram um ambiente em alguma feira importante, lançam cds, atacam de djs nas festas badaladas, ou simplesmente “assinam em baixo” de coleções como o óculos da fulana de tal e sandália da ciclana.
    Obviamente, as pessoas acabam comprar tal item por “ser” de tal pessoa, e acabam se esquecendo de outras coisas como qualidade e muitas vezes até beleza e preço.

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